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Campus Party discute o papel das lan houses na inclusão social

Uma das palestras do Encontro de Lan Houses foi apresentada por Nelson Fujimoto, assessor especial do Gabinete Pessoal do Presidente da República; Assuntos como a ilegalidade dos estabelecimentos e a mudança de perfil do uso da internet também foram abordados.
O amazonense João Orismar de Azevedo veio de Manaus para São Paulo para participar do Encontro de Lan Houses, que aconteceu nessa sexta-feira, dia 23, na área de Inclusão Social da Campus Party Brasil 2009. João e mais 65 proprietários de lan houses trocaram experiências e ouviram as palestras de Nelson Fujimoto, assessor especial do Gabinete Pessoal do Presidente da República e Luiz Fernando Marrey Moncau, advogado e pesquisador da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro.
Um dos assuntos mais discutidos pelos participantes durante o encontro foi a grande explosão do número de lan houses e cyber cafés, a legislação para esse tipo de empreendimento e a necessidade de reconhecimento, tanto por parte do governo quanto por parte da população, do grande poder de inclusão digital e cultural que as lans estão assumindo.
“A lan house é uma importante e fundamental ferramenta para acesso à cultura e está revolucionando a inclusão e alfabetização digital”, comentou Moncau. Para Fujimoto, “a lan house tem a capacidade de ampliar as possibilidades de inclusão digital. Precisamos trabalhar esse aspecto de entretenimento e difusão cultural”.
Pesquisa: as lan houses em números
Para confirmar e ressaltar ainda mais o grande poder de inclusão digital que esses centros de acesso têm, Moncau, pesquisador representante da Fundação Getúlio Vargas, adiantou alguns dados de uma pesquisa ainda em andamento que procura entender o fenômeno das lans. Em 2007, o acesso à internet a partir de lan houses ultrapassou o acesso doméstico: 49% contra 40% (Fonte: CGI – Comitê Gestor de Internet no Brasil).
Ainda segundo dados levantados pelo mesmo estudo, há mais lan houses (90 mil) do que livrarias (2.676) ou salas de cinema (2.300) no País. Entre elas, 100 estão na Favela da Rocinha, 30 na Cidade de Deus e 150 no Conjunto de Favelas da Maré, todas no Rio de Janeiro.
Moncau apresentou também alguns dispositivos da legislação de alguns municípios brasileiros, caso do Rio de Janeiro e de São Paulo, que dificultam o trabalho dos empreendedores da área. Fato confirmado com outro importante dado: 83% das lan houses brasileiras funcionam na informalidade. “As leis precisam tratar as lans a partir do seu potencial inclusivo e benéfico. A formalização desses estabelecimentos pode gerar uma onda de formalização para outros negócios e os custos da formalidade podem ser menores que os da informalidade”, concluiu.
Depois de uma hora ouvindo atentamente aos palestrantes e colegas, João Orismar acredita que a viagem até São Paulo valeu a pena. “Um encontro como esse é importante para a conscientização do governo e das pessoas. Somos criminalizados e colocados como culpados pela evasão escolar, por exemplo. Nunca veem nosso papel inclusor”, concluiu.
Sites grandes discutem a influência das mídias sociais

Editores de sites como Abril e Estadão debatem no Campus Party como as publicações de empresas de jornalismo se relacionam com as mídias sociais. E como procuram se adaptar a elas.
Por Alessandra Mazzariolli
O debate “A influência das mídias sociais nas publicações” fez parte da agenda do Campus Party e reuniu Silvia Bassi (IDG), Sandra Carvalho (Editora Abril), Marco Chiaretti (Grupo Estado), Marcelo Gomes (Meio & Mensagem) e Tiago Dória como moderador.
Os profissionais apresentaram visões sobre a internet no papel de editores de publicações e comentaram sobre como as novas mídias estão se conectando com os meios de comunicação de massa.
Na disputa pela atenção do usuário, de certa forma competem com blogs, twitters e wikis, que por sua vez diminuem as distâncias entre o que é noticiado e quem escreve a notícia.
- O que funciona o que não funciona nas novas mídias sociais?, perguntou Tiago Dória aos convidados da mesa.
Segundo Silvia Bassi, da IDG, os meios de comunicação de massa estão experimentando as novas mídias e as agências de publicidade tentam entender todas as mudanças. Os veículos, portanto, devem pensar em “mudar a cabeça dos jornalistas; saber trabalhar com diversas mídias (desde as convencionais até blogs, YouTube, caixinha de papel…) e conseguir estabelecer que informação não é só o que você escreve, mas também como você a organiza”.
Marcelo Gomes, do Meio & Mensagem, por sua vez está “testando as coisas”. Entende que o blog funciona como recurso editorial e convida blogueiros para participar do conteúdo. Para ele o jornalismo colaborativo enriquece a cobertura dos eventos, com relatos próximos aos acontecimentos.
Sandra Carvalho, da Abril, contou que no passado as iniciativas em rede, basicamente fórum, sempre foram consideradas importantes na Info, mas limitadas. Hoje o Orkut mostra o seu tamanho. “O que mudou no jornalismo: ontem o público lia, hoje troca informações. A capacidade de mobilização tornou o jornalismo mais ligado à internet e hoje a forma de trabalho é muito diferente. E os negócios também atuam na internet”.
Para Marco Chiaretti, do Grupo Estado, a audiência funcionou: se 300 mil pessoas lêem o Estadão, oito milhões acessam o portal. Já a relação entre o texto e o leitor estaria em crise; no jornal impresso “supõe-se que o leitor leia todo o texto, mas na internet sabemos que isso não acontece”.
Do ponto de vista financeiro, Chiaretti acredita: “Tem que funcionar. Os publicitários devem se convencer que os anúncios em portais serão maiores do que no papel, mas saber fazer sem prejudicar o jornal tradicional. Ou seja, para os espaços sociais em construção está dando certo. Temos um longo percurso, mas tem que funcionar”.
A conclusão em poucas palavras: o jornalismo tradicional está se adaptando às novas tendências e deseja cada vez mais produzir conteúdo na internet e lidar com a influência das redes sociais.
Fonte: Webinsider

Opinião